Localização Guarapuava, Paraná, Brasil

Área 2000.0 m2

Ano do projeto 2016

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

CREMATÓRIO GUARAPUAVA

Quando o cliente nos procurou para a realização de um crematório, buscamos refletir sobre qual seria o papel da arquitetura durante a celebração do último adeus. A resposta, para nós do Solo arquitetos, está na valorização da própria vida e da natureza. Partindo do entendimento de que a beleza da vida está no seu estado natural, cíclico e ao mesmo tempo único. 

O complexo está localizado no município de Guarapuava, interior do estado do Paraná, em um sítio generoso: uma clareira em meio a mata nativa, afastada das dinâmicas urbanas e submersa na natureza. Assim, tomamos partido desta implantação privilegiada, definindo a natureza e o silêncio como protagonistas do partido arquitetônico, buscando aflorar os sentidos daqueles que por ali passam

Posto isso, o programa do complexo apresentado se divide em quatro edificações: crematório central, columbário, crematório de animais e a casa do caseiro. A implantação adotada destes volumes busca, sobretudo, criar trechos de caminhada ao usuário, que sutilmente criam intervalos de luz, respiro e distração, oferecendo momentos de contemplação da natureza e de introspecção. 

Neste conceito a materialidade se faz fundamental para ativar os sentidos e a memória de quem usufrui dos espaço; sendo assim, optamos por materiais naturais, desprovidos de revestimentos adicionais. O principal deles é a taipa de pilão, um sistema construtivo tradicional da arquitetura brasileira, que faz uso do próprio solo do terreno em sua composição material. Sendo assim, cada obra possui uma cor e uma padronagem única, fortalecendo a relação do edifício com seu entorno natural. Desta forma, o próprio solo abraça e acolhe o visitante com toda sua força gravitacional maciça, textura e imperfeições naturais.

O crematório central, trabalhado totalmente em taipa, articula seus volumes na forma de catavento, ao mesmo tempo que articula também fluxos e visuais para o conforto de usuários e funcionários, permitindo que a natureza adentre o edifício em diferentes oportunidades. Cria-se assim, um grande pátio central envolto por sua pele vermelha que reluz suas rugas e conforta os usuários à medida que a luz entra através da leve cobertura metálica que pousa sobre este átrio. Desta forma, mais do que a cobertura, o céu torna-se parte do edifício, elevando o espaço e o espírito daqueles que ali estão. 

O columbário, outro ponto de destaque no complexo, busca uma certa transcendência ao elevar sobre suas paredes de taipa, quatro grande empenas de tijolo aparente, criando uma volumetria marcante para os momentos de visita. A edificação é totalmente descoberta, criando uma sensação de estar dentro de um edifício vazio, desprovido de sua casca elemental, mas preservada sua personalidade e memória. O espaço é marcado, também, pela presença de uma grande árvore em seu centro, oferencendo sombra, abrigo, mas acima de tudo um símbolo de vida ao visitante.

Os demais edifícios seguem a mesma proposta de simplicidade material, ainda que cada um possua suas características particulares adequadas ao seu programa e uso. Nosso partido buscou, sobretudo, valorizar o terreno, a natureza e a vida.